
O encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump expôs ao mundo um debate muito maior do que diplomacia internacional. Nos bastidores das grandes potências cresce uma disputa silenciosa, estratégica e bilionária: o controle global das chamadas terras raras e dos minerais críticos que movimentam a economia do século XXI.
Esses minerais são fundamentais para a fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas, baterias, satélites, semicondutores, celulares, inteligência artificial, equipamentos militares e sistemas tecnológicos avançados. Quem controla essa cadeia produtiva controla parte importante da economia mundial.
E o Brasil entrou definitivamente nesse jogo.
Segundo dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB), o país possui cerca de 23% das reservas mundiais de terras raras, ficando atrás apenas da China. Apesar disso, a produção brasileira ainda representa menos de 1% da produção global.
O problema é histórico.
O Brasil sempre exportou matéria-prima barata e importou tecnologia cara.
Exporta minério.
Importa inovação.
Exporta riqueza natural.
Importa produtos industrializados com alto valor agregado.
O risco agora é repetir o mesmo erro com os minerais mais estratégicos do futuro.
Levantamentos recentes do Serviço Geológico do Brasil apontam que pelo menos 12 estados brasileiros possuem potencial para exploração de terras raras. Entre os principais estão:
Hoje, os maiores destaques confirmados estão concentrados em Goiás, Minas Gerais, Amazonas e Bahia. Goiás ganhou relevância internacional por possuir a mina Serra Verde, considerada uma das mais importantes fora da Ásia e estratégica para os Estados Unidos e Europa.
Mas o Tocantins começa a surgir como uma nova fronteira mineral brasileira.
Localizado no coração do Brasil e inserido estrategicamente no MATOPIBA, o Tocantins possui uma posição geográfica privilegiada e um potencial mineral ainda pouco explorado.
Dados recentes da Agência Nacional de Mineração apontam que o estado já possui diversos processos ativos de pesquisa mineral ligados às terras raras, abrangendo dezenas de milhares de hectares.
O próprio Serviço Geológico do Brasil incluiu o Tocantins entre os estados prioritários nos projetos nacionais de avaliação de minerais estratégicos.
O estado reúne vantagens estratégicas importantes:
Mesmo assim, o potencial mineral tocantinense ainda é subaproveitado.
Enquanto outras regiões do mundo avançam em tecnologia, pesquisa mineral e industrialização, grande parte das riquezas brasileiras continua sendo explorada sem agregar valor suficiente dentro do próprio país.
O Brasil é um dos países mais ricos do planeta em recursos naturais.
Tem água doce.
Tem energia.
Tem terras agricultáveis.
Tem biodiversidade.
Tem minérios estratégicos.
Tem capacidade produtiva.
Mas ainda convive com desigualdade social, baixa industrialização e infraestrutura limitada.
A crítica feita por economistas e especialistas é direta:
o Brasil vende riquezas naturais a preço de commodity e compra de volta produtos industrializados a preço de dólar e euro.
Isso impede que a riqueza do subsolo se transforme verdadeiramente em melhoria da vida do povo.
O debate sobre terras raras não pode ficar limitado apenas à mineração.
A discussão envolve:
Sem planejamento, o país corre o risco de repetir um modelo extrativista antigo, onde a riqueza sai do território brasileiro enquanto o maior lucro permanece no exterior.
A movimentação internacional já começou.
A compra da Serra Verde, em Goiás, por uma empresa americana ligada à estratégia mineral dos Estados Unidos, em uma operação estimada em US$ 2,8 bilhões, mostra que as grandes potências entenderam o valor estratégico dessas reservas brasileiras.
A China domina atualmente grande parte do refino global de terras raras. Estados Unidos, Europa e Japão tentam reduzir essa dependência buscando novos fornecedores.
O Brasil virou alvo natural dessa disputa.
Mas a pergunta central continua sendo:
o país será apenas fornecedor de minério bruto ou conseguirá construir sua própria cadeia industrial?
A resposta definirá parte importante do futuro econômico brasileiro.
Terras raras não podem ser tratadas como minério comum.
São ativos estratégicos.
E ativos estratégicos exigem planejamento nacional, inteligência econômica e visão de longo prazo.
O país precisa exigir:
Sem isso, o país continuará assistindo outras nações enriquecerem com riquezas retiradas do solo brasileiro.
O Tocantins, localizado no centro geográfico do país e no centro dessa nova transformação econômica, pode ocupar posição estratégica nessa nova era mineral.
Mas isso dependerá de planejamento, infraestrutura, investimento e visão de futuro.
O século XXI será definido por tecnologia, energia e minerais críticos.
E o Brasil possui uma das maiores riquezas minerais do planeta.
A decisão agora é saber se o país continuará apenas exportando riqueza ou se finalmente transformará seu potencial natural em soberania, desenvolvimento e melhoria real na vida da população.
Texto editorial construído por Vidal Moreno
Radialista há 40 anos — DRT 1022/MA, microempreendedor, narrador, produtor ligado à agricultura familiar e analista das transformações econômicas e sociais do Brasil.
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